sábado, 20 de janeiro de 2018

Guia básico: como escrever um conto.

Dracomics Shonen - Vol.1.
O meu primeiro trabalho publicado por uma editora foi uma história em quadrinhos chamada O Arquipélago dos Espíritos, escrita por mim e desenhada pelo Heitor Amatsu. O meu quadrinho está disponível na antologia Dracomics Shonen, da Editora Draco. Porém, mesmo sendo meu primeiro material impresso, essa não foi a primeira história que me colocou como uma opção de leitura no mercado literário nacional.

Eu comecei com contos. Antes de escrever meu primeiro livro, antes de publicar meu primeiro quadrinho, eu escrevi um conto chamado A Alma Perdida: Muito Além do Oeste.

Esse conto se tornou um dos meus principais trabalhos até hoje, com mais destaque até do que o quadrinho publicado pela Draco. E, a nível pessoal, um dos motivos dessa ser uma das minhas histórias mais relevantes é o fato de o conto representar a conclusão de um objetivo. Antes de pensar na A Alma Perdida eu estava, com o perdão da infâmia repetição, perdido em um livro que não saia do lugar.

É difícil acreditar no próprio trabalho sem obter nenhum resultado durante sua produção.

Mediante essa situação, resolvi fazer uma história curta para ter um projeto ao qual eu pudesse começar e finalizar. O objetivo era melhorar a minha autoestima e me motivar a continuar escrevendo. Foi assim que o conto nasceu e foi assim que tive outra ideia que se tornou o meu primeiro livro escrito e ainda não publicado.

Contei essa história porque considero importante exemplificar que o processo de escrita pode ser conturbado, principalmente se você não sabe o que está fazendo. Eu não sabia exatamente o que estava fazendo, por isso o meu livro não saia do lugar. No entanto, ao me propor uma pequena meta, consegui finalizar uma história e hoje tenho dois livros escritos, cinco contos publicados e um quadrinho com a Draco.

Escrever contos é interessante, principalmente para quem está começando. A importância disso não está apenas relacionada a uma meta ao qual o autor iniciante possa cumprir, mas também é um meio de você ter seu trabalho publicado, seja no Wattpad, na Amazon ou em uma antologia de contos organizada por uma editora. Além disso, também é mais fácil convencer uma pessoa a ler o seu conto ao invés de um livro de trezentas páginas.

Para esse artigo, o termo “conto” será tratado como histórias curtas. Não importa se é um enredo de dez páginas ou uma noveleta de cinquenta. O conto é uma história curta, não um livro, estamos entendidos?

Todavia, em definições mais embasadas segundo artigo publicado pela Editora Hedra, redigito por seu editor, Luis Dolhnikoff, um conto é uma história que contém entre 2.500 e 7.500 palavras. No entanto, nesse artigo também estou levando em consideração os minicontos (flash fiction) de 100 a 2.500 palavras, e as noveletas, que possuem entre 7.500 a 15.000 palavras.

Uma novela, que é um texto que figura entre a noveleta e o romance, possui entre 15.000 e 40.000 palavras. O romance, o “livro comum”, tem aproximadamente entre 41.000 a 100.000. Quando o livro é maior do que isso, o termo utilizado, no inglês, é “Epic novel”, ao qual eu particularmente chamo de CHAPROCA ou CALHAMAÇO. O livro IT – A Coisa, do Stephen King, entra na categoria de calhamaço. Uma epic novel possui entre 101.000 e 200.000 palavras.

E, recapitulando, quando eu estiver falando de contos, estarei me referindo aos minicontos, aos contos em si e também as noveletas. Estamos compreendidos?

Agora, para melhor embasar, esses são os tamanhos aproximados das minhas obras e suas devidas categorias:

A Alma Perdida - Muito Além do Oeste: 13 mil palavras (aproximadamente); noveleta.
Rei e o Monstro Gigante: 5 mil palavras (aproximadamente); conto.
Leito Hospitalar - Sozinho no branco vazio: 5 mil palavras (aproximadamente); conto.
Zumbis em uma nave espacial: 2 mil palavras (aproximadamente); miniconto.
O Bem-Aventurado Sr. Político: 4,5 mil palavras (aproximadamente); conto.

Esse artigo segue o princípio do meu primeiro guia básico, o texto não é um passo a passo, mas um compilado de informações ao qual eu gostaria de ter tido conhecimento no momento ao qual comecei a trabalhar com escrita. Se você não sabe como começar a escrever seus contos ou precisa de informações para se sentir confortável com suas próprias criações, você está no lugar certo.

Se você quiser conhecer o meu trabalho ou ler exemplos de contos após a leitura desse artigo, sinta-se à vontade para clicar em qualquer link relacionado as minhas histórias nesse blog. Ou clique aqui. Estarei colocando os meus contos de graça na Amazon por esse período de tempo: 20/01/2018 a 24/01/2018. Se gostar dos contos, deixe sua nota e comentário. Se não gostar, comenta em particular para ninguém ficar sabendo ;)

Não deixe de acessar os guias anteriores:



Escrever: uma questão de gramática


Antes de estudar estruturas narrativas é necessário saber escrever para se escrever uma história. Um pouco óbvio, não é mesmo? Mas qual deve ser o seu grau de erudição linguística para poder colocar a mão na massa, estalar os dedos e começar a redigir um conto para todos governar? Bem, se você sabe ler e compreender o que está lendo e sabe escrever de forma compreensiva para o seu leitor, você já está apto a contar suas histórias.

Não há necessidade de ter um bacharelado em língua portuguesa para contar histórias de ficção. A gramatica é importante e essencial, mas não é a única coisa que um autor precisa para ser um escritor.

Nessa etapa do processo, para quem está começando, vale o que a Cecilia Dassi, atriz e psicóloga, gosta de dizer: feito é melhor do que perfeito não feito.
Trecho do vídeo: Idealizar e procrastinar - feito ou perfeito?
Evidentemente deve-se ressaltar o fato de que a gramática é fundamental na arte da escrita. Sem isso o indivíduo não terá capacidade para redigir nenhum tipo de texto. Para se jogar futebol é importante saber passar e chutar a bola, dois fundamentos básicos. A gramática é equivalente a esse exemplo.

No entanto, eu não sou uma pessoa especialista em gramática. Esse é o real motivo desse capítulo no artigo. Eu sou incapaz de explanar sobre verbos e orações, sequer sei explicar o que é uma oração subordinada substantiva objetiva indireta. Isso é um fato. Porém, mesmo assim, sou escritor. Estou escrevendo esse artigo. Você está lendo esse artigo. Portanto, mesmo incapaz de compreender as regras gramaticais como um todo, eu sei usar a gramática de forma aceitável, mas não em sua plenitude e perfeição.

Como isso é possível? Isso é possível da mesma forma que um jogador de futebol consegue fazer uma curva em parábola com uma bola sem necessitar ter os conhecimentos da física por de trás do impulso do seu chute em conjunto ao movimento do braço oposto em relação à perna em deslocamento que possibilita o equilíbrio perfeito que garante a precisão e força do seu arremate. Sem vírgulas.

A resposta é essa: prática.

Passei onze anos em duas escolas, entre ensino fundamental e médio. Fui lecionado sobre gramática do primeiro ano do fundamental ao terceiro e último do ensino médio. Tive acesso a toda essa informação teórica, mas nunca fixei a informação. Sempre me foi muito esquisito e eu só conseguia manter esses dados guardadas há tempo das provas, por isso nunca repeti de ano e nunca tive problemas com notas – minhas notas eram boas, não grandiosas, mas boas.

De uma maneira indireta todo esse aprendizado escolar ainda se mantém no meu subconsciente. Entretanto, esse é o meu limite.

O conhecimento teórico gramatical faz falta? Muita! Um pouco mais de noção me ajudaria a compreender melhor o que funciona ou atrapalha os meus textos, saindo da linha do instintivo. Ainda não sei como resolver esse meu problema, mas continuo escrevendo e lendo todos os dias, e cada novo aprendizado melhora a qualidade da minha escrita.

Voltando ao motivo de redigir esse capítulo: se você não é bom em teoria gramatical, procure escrever bastante. Todos os dias. Crie um blog, um Tumblr ou pegue um caderno e escreva só para você. O IMPORTANTE É ESCREVER. Também é importante ler, ler muito. Leia artigos, leia livros, leia quadrinhos, leia legendas. Leia e escreva, escreva e leia.

A prática não substitui a teoria e a teoria não substitui o conhecimento adquirido com a prática. É fundamental compreender que as pessoas absorvem conhecimento de formas diferentes, portanto, não é preciso seguir apenas o modo didático da escola. Encontre o seu próprio meio de aprendizado. É isso que importa: aprender.

Resumindo para finalizar: a gramática é essencial, mas ficar preso a teoria não vai lhe ajudar a contar histórias de ficção. Se a escola não lhe ensina ou não lhe ensinou de uma forma compreensiva, encontre o seu próprio caminho para aprender a escrever suas prosas. O meu foi criar um blog e escrever de tudo, de notícias a críticas de filmes, de contos publicados a outras histórias de ficção que jamais verão a luz do dia.

Sei que a falta de conhecimento teórico deixa qualquer pessoa insegura para julgamentos, mas você não deve se preocupar com isso: você será julgado de qualquer forma, independentemente da sua escrita ser boa ou ruim.

Essa é minha dica gramatical: aprenda, mas não é preciso virar professor.

A questão gramatical será pautada novamente no decorrer desse texto.

Desmitificando o mercado das ideias


Você teve uma ideia brilhante. Por que você teve essa ideia brilhante? Porque você é fodão!

Você é o cara!

Porém, há um empecilho: outra pessoa teve a mesma ideia brilhante que você! =O

Imagine que dentro de um grupo de UM MILHÃO de pessoas, só duas são incríveis o suficiente para ter essa ideia brilhante. Isso significa que você tem um concorrente em um milhão. Pensando assim, é melhor do que a mega-sena, não é?

No entanto, a vida é uma dominatrix que machuca o seu bumbum com areia e sal. Nesse momento você percebe que duas pessoas tiveram a mesma ideia dentro de um milhão de indivíduos. Você mora na cidade de São Paulo, cidade com doze milhões de habitantes. Ou seja, além do concorrente do seu milhão, ainda há mais vinte e duas pessoas com a mesma ideia brilhante.
Pois é, o estado de São Paulo tem mais de quarenta milhões de habitantes. O Brasil tem mais de duzentos milhões de cidadãos. O mundo tem sete bilhões dessa praga de ser humano.

Migo ou miga, sua ideia brilhante não é brilhante.
Não sei qual é o anime, não pergunte.
Muito se valoriza a grande ideia que será a força motriz da sua história, mas é importante encarar a realidade de que isso não existe. Um bom pensamento pode motivar você a contar uma boa história, mas uma boa história não é formada apenas por uma ideia.

Pense que o mercado das ideias está aberto para todos que estão dispostos a transitar por suas imediações. Às vezes você vai determinado para comprar um produto X, às vezes você esbarra sem querer com o produto Y e de vez em quando é até possível descobrir um produto Z em uma ala secreta do mercado. O mercado das ideias é seu para caminhar da mesma forma que é exatamente isso para todos os outros artistas que ali passam. Duas pessoas podem comprar o mesmo produto e ninguém é especial por causa disso.

Todavia, por que isso acontece? A resposta não é complicada: necessidades semelhantes geram resultados semelhantes. A experiência da vida humana é bem limitada, então é bem comum que pessoas, morando em lugares diferentes, tenham exatamente o mesmo tipo de raciocínio.

Um dia alguém pensou que seria mais fácil caçar mantendo distância da sua presa, pois usar pedras e espetos era muito arriscado. Nesse momento surgiu a necessidade de atacar a distância. Alguém inventou ou improvisou uma lança. Outros passaram a arremessar essa lança para garantir mais segurança. Outros dentre outros perceberam que seria mais prático e preciso arremessar um objeto menor usando uma ferramenta, então nasceu o arco e flecha.

Todas as nações do mundo passaram por esse processo, mas muitas delas não se encontraram para trocar informações, apenas conviveram com a mesma necessidade.

O escritor funciona da mesma forma. Você terá ideias e conclusões que muitas pessoas já tiveram ou vão vir a ter, então não se preocupe com a necessidade de ter ideais para suas histórias. Elas aparecem naturalmente ou você pode aprender a se portar para “forçar” o surgimento de ideias bacanas. O diferencial está na maneira em que você vai trabalhar esse conceito. Uma ideia solitária não tem valor quando não trabalhada.

O mercado das ideias está aberto para todos, não fique se apegando a um conceito mirabolante, pois provavelmente outra pessoa já o teve. E, é claro, se você quer aprender a usar suas ideias ao seu favor, leia o capítulo seguinte.

Desenvolvendo sua ideia e enredo


Uma história é composta por muitas ideias que juntas se transformam em conceitos e enredo. É aqui que se encontra o seu valor, no trabalho como um todo. Entretanto, antes de discutirmos enredo e tramas para suas histórias, vamos começar pelo básico, afinal de contas, esse é o guia básico de como escrever um conto.

As suas ideias e as ideias de qualquer tipo de artista nascem do nada ou de um esforço específico voltado para a criação. A primeira opção é natural, não é preciso ser explicada em detalhes. Você está tomando banho, pensa em uma coisa que leva a outra e magicamente uma ideia surge na sua cabeça. O nosso foco agora deve ser em trabalhar sua mente para que sua cabeça esteja apta a ter ideias com maior naturalidade e frequência.

Para ter ideias você deve estar absorvendo informações constantemente. É preciso viver. Se você é uma pessoa aventureira, saia de casa, pegue um ônibus ou um avião, conheça outras pessoas e vá viver sua vida sempre colhendo informações, aprendendo sobre os lugares por onde passa e ouvindo o que os outros têm a dizer. É o famoso clichê de ouvir conversas paralelas de estranhos na rua. Eu não levo esse estilo de vida, estou apenas relatando uma possibilidade, pois a pessoa que disse que “a vida imita a arte” foi bastante infeliz e estupida.

Não há arte sem vida. Ponto final. Pessoas podem se inspirar na arte, mas a arte só existe se o artista souber observar o mundo ao seu redor. É impossível imaginar algo que você não sabe que existe, todas as criações são baseadas na experiência de vida dos artistas, de maneira subconsciente ou direta.

Rei e o Monstro Gigante.
Em Rei e o Monstro Gigante, meu segundo conto publicado na Amazon, eu estava com duas piadinhas, questionamentos cômicos, na cabeça há alguns dias: você já percebeu como os monstros gigantes estão sempre destruindo o Japão? Isso seria uma rixa pessoal com o povo nipônico? Outra coisa: já percebeu como a Austrália está cheia de criaturas monstruosas? Arranhas gigantes, crocodilos que parecem filhotes do Gojira e afins. Isso sem falar nos Cangurus que já chegam no boxe nas pessoas.

Por que eu estava com essas ideias na cabeça? Porque a Editora Draco estava fazendo uma coleção de monstros gigantes e eu queria tentar participar. Não consegui entrar para a antologia, o texto estava ruim e a história não combinava muito com a temática adotada para a coletânea. Porém, como eu queria participar da coletânea, comecei a pensar na situação dos monstros gigantes no Japão e acabei fazendo essa associação: os monstros que destroem o Japão são todos da Austrália, porque lá está cheio de criaturas fantásticas.

Dessa forma nasceu Rei e o Monstro Gigante: a história de uma menina japonesa que lutará contra um monstro gigante australiano. O enredo não tem absolutamente nada de cômico. O enredo também não possui o aspecto tradicional de terror que fez Gojira emergir em 1958. Mas foi assim que a história nasceu e se tornou um drama infantojuvenil fantástico.

Seguindo nas formas de obter ideias, procure consumir histórias como um todo. Leia livros, quadrinhos, veja filmes, séries e afins. É por isso que faço uma lista anual na minha retrospectiva sobre tudo que consumi no ano. Cada nova história consumida me oferece mais embasamento para minhas próprias criações, não apenas como fonte de ideias, mas também como referências criativas.

No exemplo de duas ideias em um milhão, podemos mensurar que 14 mil pessoas no mundo são capazes de ter a mesma ideia. O que diferencia essas pessoas umas das outras? Resposta: sua individualidade e trabalho. Cada ser é único, por mais que suas ideias e pensamentos possam ser semelhantes, cada qual tem sua própria forma de ver o mundo. Somando isso a capacidade de pesquisar para se informar e trabalhar, é plenamente possível que essas 14 mil pessoas, 14 mil indivíduos com a mesma ideia, desenvolvam 14 mil projetos diferentes ou até mesmo semelhantes, mas cada qual com seu próprio charme.

Imagine um vampiro se apaixonando por um ser humano, um humano se apaixonando ou, para simplificar, uma história de amor entre humano e vampiro. Bastante clichê, não é mesmo? Todavia, em qual história você está pensando nesse momento? Crepúsculo? Drácula? Diários de um Vampiro? True Blood? Vampire Knight? Carmilla?

Todas essas histórias têm no mínimo uma ideia repetida, mas todas são distintas por serem de autores diferentes. A salva exceção é Carmilla e Drácula, pois o conto da Carmilla é uma das inspirações para o livro do Bram Stoker. Mas, mesmo servindo de inspiração, as duas histórias são diferentes entre si.

Outro método para ter ideias é através da pesquisa. Pesquise sobre assuntos do seu interessante, leia notícias e, novamente, mantenha se informado. As ideias vão aparecer no meio desse processo.

Vou propor um exercício básico de pensamento criativo: escolha uma temática e faça questionamentos em torno dessa temática.

O tema não precisa ser um gênero em específico, podendo ser um aspecto ou característica. O nosso objetivo, aqui e agora, é contar uma história envolvendo gelo. Nós gostamos de gelo e queremos trabalhar com esse elemento.

O que o gelo tem de bacana? Há personagens com poderes de gelo; há cenários desafiadores onde há neve intensa; há pessoas que trabalham diretamente com gelo, seja fabricando gelo ou vivendo no gelo, como um alpinista ou um patinador. Há muitas coisas ao qual o elemento gelo faz parte. Eu escolho pessoas que fabricam gelo. Essa pessoa é uma garota brasileira que nunca viu neve, então ela, na escola, começa a estudar maneiras de fabricar neve artificial, seja com papel picado, métodos científicos ou cinematográficos.

Vamos adicionar um pouco mais de questionamentos: por que a nossa protagonista quer tanto fazer neve? Ela vive no Brasil e vê neve em filmes e gostaria de vivenciar essa sensação do natal americano? Ela gostaria de realizar o sonho de uma amiga que também gosta bastante de neve? Ou ela só quer ser diferente dos demais? Quebrando um pouco a cabeça, pensando nas possibilidades, você conseguirá desenvolver todo um enredo para sua personagem.

A garota que fazia nevar: Júlia é uma garota pobre do sertão pernambucano fascinada por filmes de natal hollywoodianos. Ao ver sua melhor amiga sofrer com problemas familiares e na escola, ela decide fabricar neve para poder transpassar essa sensação de conforto e cumplicidade que os filmes natalinos americanos passam para os seus telespectadores.

Prontinho. Temos um título, uma boa ideia e um enredo proposto nessa sinopse. Eu posso escrever um conto, um livro, fazer um quadrinho ou um filme com isso. Se eu desejar levar essa ideia adiante, ideia ao qual pensei em menos de dez minutos, eu só necessito começar a pesquisar sobre os elementos intrínsecos nessa história: como é viver no sertão de Pernambuco; como se fabrica neve artificialmente; qual é o estado psicológico de uma criança ou adolescente que sofre com esses tipos de problemas e assim por diante.

É desse modo que você tem uma ideia e desenvolve um enredo - lembrando que esse é apenas o método que utilizo para trabalhar minhas histórias como um todo.

Só de curiosidade: fiz uma pesquisa rápida pelo título que escolhi para o exemplo e descobri que existe um livro chamado “A menina que fazia nevar”. Títulos como esse, a menina ou menino que fazia isso ou aquilo, são bem comuns e chamativos no mercado literário, por isso são muito usados. Vou manter o título clichê no exemplo, mas se eu fosse realmente escrever essa história agora, eu procuraria pensar em outro título para não haver confusão (retornarei a esse assunto em outro momento).

Escrita é técnica, não pura inspiração.

Qualquer pessoa pode escrever a história de alguém que fabrica neve, mas o meu enredo, o meu projeto, acaba sendo único nesse sentido por ter sido pensando por mim. Nesse caso, é bom alertar que se outra pessoa desenvolver exatamente esse mesmo projeto que acabei de explanar, isso constará como plágio. Não há plágio de ideias, mas de projetos.

Não vou discutir direitos autorais, outras pessoas já o fizeram bem e você sempre tem a possibilidade de ler a lei de diretos autorais brasileira para poder ficar por dentro do assunto (:

Criando a estrutura do seu conto


Como acabei de mencionar no capítulo anterior, a escrita é uma questão de técnica, não uma atitude natural de espontaneidade e inspiração. Pensando dessa forma, construir uma estrutura para suas histórias, seja em contos ou livros, é algo muito comum e prático para dar continuidade ao trabalho como um todo.

Há autores, como o já mencionado Stephen King, que não fazem estruturas para escrever. No entanto, eu não sou o King e provavelmente você também não é. Então, diante esse infortúnio, é importante que trabalhemos com estruturas para poder narrar nossas histórias.

Não existe uma fórmula exata de como uma história deve ser estruturada, mas eu costumo, depois de desenvolver meu enredo e pesquisar bastante sobre o assunto, decidir o número de palavras da minha história e organizar toda essa informação na estrutura básica de começo, meio e fim. Às vezes eu decido a quantidade de palavras antes de fazer minha pesquisa ou desenvolver melhor a história.

A quantidade de palavras é importante, pois quem está começando geralmente pensa em páginas ignorando o fato de que a quantidade de páginas de um livro ou conto é diferente dependendo da mídia ao qual a história está sendo consumida. Porém, se pensar em palavras, o texto terá o mesmo tamanho em qualquer plataforma. Por isso recomendo utilizar a classificação mostrada no início desse artigo como referência.

Toda história possui início meio e fim, até mesmo aquelas que são cronologicamente bagunçadas e não seguem uma linha narrativa continua. Todo enredo sai do ponto A, passa pelo ponto B e se encerra no ponto C. Às vezes o ponto C pode ser o começo da aventura e o B o fim. A estrutura de atos está presente até mesmo em Pulp Fiction (Quentin Tarantino). Em Pulp Fiction essa estrutura é baseada em pontos de ação, há o começo, meio e fim baseado no ritmo narrativo das histórias que estão sendo contadas.

Todavia, vamos nos focar nos contos.

Por ser uma história curta, podendo até ser uma noveleta, é importante lembrar que o espaço disponível para sua história acontecer é diminuto. Então não adianta ter muitos personagens, tramas e subtramas. Um conto tem um foco, podendo variar em uma única sucessão de acontecimentos ou uma sequência de detalhes sobre a vida do protagonista ou algo relacionado a trama abordada.

Se durante o desenvolvimento da sua ideia a história aparentar ser maior do que o predefinido, se a história tiver mais personagens do que o necessário para um conto e eles forem importantes para a trama, é melhor desistir desse conto e passar a encarar sua sinopse como livro ou novela. Fiz isso no meu primeiro livro ao perceber que a história tinha um potencial maior do que ser um único evento em específico.

Dentro da estrutura de começo, meio e fim, o seu conto ainda pode ser dividido em capítulos. A Alma Perdida: Muito Além do Oeste e Rei e o Monstro Gigante são histórias capituladas. A primeira, se não me engano, tem cinco partes e a segunda à narrativa é dividida na visão da menina japonesa e do monstro australiano. Nesse aspecto, se você optou por fazer uma história de 8 mil palavras e decidiu que ela vai acontecer em cinco etapas, dívida 8 mil por cinco e você terá o número de palavras que deverão ser utilizadas por capítulo – nesse caso: 1600 palavras.

Não é necessário ser extremamente matemático e redigir mil e seiscentas palavras por capítulo, o número é apenas uma referência a ser seguida. Um pequeno objetivo a ser alcançado. Às vezes o capítulo se encerra com menos palavras ou excede o número original, isso não é importante, o importante é ter uma referência para guiar o seu enredo, preencher as lacunas e concluir o seu conto.

As minhas outras histórias, Leito Hospitalar: Sozinho no branco vazio, Zumbis em uma nave espacial e O Bem-Aventurado Sr. Político, são textos contínuos sem capítulos. Nesse caso precisei estruturar as três histórias em acontecimentos e fui escrevendo em prosa até finalizar o que eu gostaria de contar.

Muito provavelmente o seu texto final ficará diferente do planejado inicialmente, mas isso também não é um problema. Você vai inventando e a história vai se contando sozinha, muitos personagens vão desenvolver uma personalidade inesperada e, mesmo assim, estará tudo bem. O importante é você contar a história ao qual você gostaria de ler.

Observação: não perca o seu tempo com a jornada do herói ou qualquer estudo complexo de como se escrever um livro, você está fazendo um conto, não um romance. Você não precisa disso agora, mas tem total liberdade para ler sobre o assunto se tiver interesse. Só não fique bitolado em tramas grandiosas quando o objetivo é fazer algo mais simples e menos sofisticado como um conto.

Publicando o seu conto


Sua história está pronta, você já fez tudo que precisava ser feito, qual é o próximo passo?

Abandone sua história!

Deixe seu texto de boas no computador ou no seu caderno, não o leia novamente e permita esquecer das palavras usadas. Por ser um conto, uma semana está de bom tamanho. Procure ficar um tempo sem reler sua história para que durante a releitura você tenha capacidade de notar erros gramaticais e interpretar melhor o seu próprio texto. Quando reler, comece a revisar até ficar bom. Se necessário, espere mais um pouco após as primeiras revisões e refaça esse processo novamente.

Esse é o ponto em que a gramática reassume o seu protagonismo. O próprio word possui um sistema de correção, mas não confie por inteiro nele. Às vezes o software pode se confundir e prejudicar a qualidade do texto. Para uma pessoa incapaz de fazer uma boa revisão detalhada, o que seria o meu caso, recomendo esse processo de leitura e reescrita até encontrar a forma final para o seu texto.

Eu geralmente acabo usando outro corretor ortográfico, o FLIP. O FLIP não é perfeito e tem o mesmo problema de outros softwares de correção, porém, o site acaba servindo para uma segunda visão técnica, identificando palavras erradas que o word não foi capaz de lhe mostrar. É só uma segunda referência. O site também tem dicas e outras funções, mas se você quiser estudar gramática da forma correta, procure livros, exercícios e aplicativos específicos para isso.

Outra estratégia possível ao qual não tenho acesso é enviar o seu texto para um conhecido, alguém ao qual você confia, para avaliar o seu trabalho. Não é uma avaliação teste para a história, mas para perceber erros e esse tipo de coisa. Já entrei em contato com algumas pessoas nesse sentido, nenhuma me respondeu, porém, espero que você seja mais sociável do que esse serzinho miserável que vos escreve. E, evidentemente, você pode contratar um revisor se tiver dinheiro – também não é o meu caso.

Finalizada a revisão, vamos retomar mais um assunto: o título do seu conto.

Como mencionei anteriormente, às vezes o título da sua história pode ser parecido ou idêntico ao de outra pessoa por uma simples questão de coincidência. Isso acontece, está tudo bem. No entanto, acredito que seja melhor evitar a concorrência com nomes similares para melhor identificação por parte do público. Também é importante não ter um nome muito bizarro. Se o título não surgiu na sua cabeça de imediato, procure uma frase ou elemento na sua história ao qual você possa utilizar como título.

Certo, meus companheiros de aventura, agora nós vamos formatar o seu conto. Dependendo do local onde o texto será publicado, você poderá fazer uma formatação diferente, no entanto, o meu foco principal será para contos publicados na Amazon, pois essa é minha especialidade.

Por ser um texto que será publicado via Kindle, o seu arquivo geralmente terá uma formatação própria na plataforma, mas recomendo o preparo geral do texto. A primeira página do seu conto é a contracapa, não havendo necessidade de adicionar uma capa porque o sistema do Kindle estrutura isso por conta própria.

Eu formato o texto dessa forma: coloco tudo em Arial para melhor leitura durante a diagramação. Adiciono o título do conto, o meu nome, a edição do e-book, informações de copyright por pura formalidade e dados relacionados a capa. Vide exemplo:
Formatação da contracapa.
Assim que você terminou sua contracapa, vá na aba “INSERIR”, no espaço “Páginas”, e clique em Quebra de Página. Aparecerá um espaço em branco na primeira página e o cursor do texto estará presente no começo da segunda página.

Na segunda página você adiciona o seu conto. Não é necessário colocar um título, exceto se seu conto tiver capítulos. No caso de uma história capitulada, você deve adicionar uma quebra de página a cada final de capítulo.

Não sei se isso é realmente necessário, mas eu geralmente coloco um pequeno espaço de parágrafo para facilitar a leitura de quem adquirir meus contos. Para fazer isso siga esse passo a passo:

Selecione todo o seu texto, exceto a contracapa e vá em Página Inicial > Parágrafo > Configurações de Parágrafo.

Recuo: Especial “Primeira Linha”; Por 0,5 cm.

Espaçamento: Depois 10 pt; Espaçamento em Linha “Pelo menos”, Em 1,15 pt.

Exemplo:
Quebra de página para história com capítulos.

Configuração de formatação para o arquivo.
Salve no formato DOC/DOCX e siga as instruções da Amazon. Aguarde e seu conto estará disponível para compra conforme informado pelo e-commerce.

//

Não falei muito sobre divulgação do conto nesse artigo, principalmente sobre a criação da capa, porque o meu plano era escrever outro artigo, para publicar no Medium, com o objetivo de explanar diretamente sobre esse assunto de um modo que esse segundo texto não combinaria muito com o estilo do Guia Básico. Porém, como é perceptível, não escrevi um segundo texto, pois estou puto com minha vã existência e, no momento, desejo o fim da humanidade o mais rápido possível. Beijos e abraços, espero que esse guia tenha sido útil (:

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Retrospectiva: Filmes assistidos em 2017

Prosseguindo com minha mais nova tradição, dei continuidade com a minha lista de entretenimento consumido no ano de 2017. Três estão maiores e outra está menor por questões financeiras e sentimentais.
Star Wars - Os Últimos Jedi Rayzinha
Essa é a lista dos filmes; os que estão marcados em vermelho são aqueles que mais recomendo, o que não quer dizer que sejam os melhores filmes da lista, mas aqueles que acredito que mereçam um destaque, saindo um pouco do óbvio. Os breves comentários não são críticas propriamente ditas, são apenas breves comentários (nesse ano eu escrevi bastante “flui”). Confira:
Janeiro
1. A Noite dos Mortos-Vivos (EUA) - Não é difícil perceber que o filme estava muito à frente do seu tempo na época em que foi lançado, portanto, é justamente por isso que a obra do George A. Romero é tão importante para o cinema e para a cultura popular mundial - 4/5;
2. Aventureiros do Bairro Proibido – Por incrível que possa parecer, nunca tinha visto o filme. Gostei bastante de como o John Carpenter brinca com os estereótipos, não apenas chineses, mas também dos americanos e dos filmes de ação da época - 4/5;
3. I'm cyborg, but that's ok – O primeiro filme do Chan-Wook Park que tem como foco principal na comédia, com variação entre gêneros mais moderada. A trama, colorida e lúdica, fala sobre compreensão e aceitação dos próprios demônios internos, mas também pode ser interpretado apenas como uma história divertida de malucos - 4/5;
4. Tá Chovendo Hambúrguer 2 – A animação tem pouco hype, mas é melhor do que a grande maioria que apareceu no cinema nos últimos anos. O filme sabe brincar muito bem com seus elementos e consegue dar continuidade a história do original com ótimas piadas dentro de uma história simples, mas muito bem executada -  4/5;
5. A Meia Noite Levarei Sua Alma - Não esperava que o filme tivesse um discurso complexo sobre vida e morte, e, principalmente, não estava esperando que o conteúdo fosse tão interessante, achava que seria mais trash e menos dramático - 4/5;
6. A Mosca – Gostei bastante da evolução gradativa de todo o arco do filme. Nada é acelerado, o drama é desenvolvido aos poucos. Você sabe o que vai acontecer, pois é a sinopse do filme, mas isso não lhe prepara para aquilo que o longa vai mostrar em tela - 5/5;
7. Eis os Delírios do Mundo Conectado – O documentário tem uma linguagem interessante, mas por muitas vezes acaba sendo um pouco prepotente e pedante, falando muito mais pela visão de seu narrador do que da temática em si que está sendo abordada em cada um dos dez capítulos - 3/5;
8. PIXO – Pixo é um documentário excelente, com montagem no ponto perfeito para absorção de informação de maneira não cansativa e maçante. A pichação é consequência de uma realidade amarga, às vezes uma forma de expressão e outras vezes apenas egocentrismo - 5/5;
9. Ong Bak – Guerreiro Sagrado – O filme é do começo dos anos dois mil, mas o valor de produção precário lembra um filme da década de oitenta. Porém, mesmo com limitações claras de recursos, a direção sabe utilizar muito bem das habilidades marciais de seu protagonista desenvolvendo um ótimo filme de porrada - 4/5;
10. Maidentrip – O documentário, estrelado pelo então jovem Laura Dekker, é uma jornada de amadurecimento invejável que não seria boa se fosse uma obra de ficção; ainda bem que é real, pois assim eu posso oferecer minha panqueca para netuno - 5/5;
11. Amnésia - O filme foi feito em uma época em que o Christopher Nolan se arriscava mais, e isso é muito bom! A trama, que é simples em seu enredo, ganha força por causa da narrativa quebrada e da estética adotada para contar essa história. Você não percebe o tempo passando e, quando menos espera, o filme acabou - 3/5;
12. As Aventuras de Pi – Os efeitos especiais do início do filme são horrendos, mas depois a história entra em um arco de genialidade do Ang Lee, que de vez em quando parece editar o seu filme em um Power Point. Todavia, o filme é bem interessante e o resultado final é bem positivo - 4/5.
13. O Ódio - La Haine é um daqueles filmes fodas que transcendem o tempo e continuam assustadoramente atuais - 5/5.
Fevereiro
14. Ichimei (Harakiri) - Um filme de planos médios elegantes, com angulação estática e movimentada apenas em momentos específicos. A história, refilmagem de um longa de 1962, mostra um outro lado da vida dos samurais, não se concentrando apenas em seus deveres, mas expondo os limites da honra e, principalmente, o caráter individual de cada pessoa - 5/5;
15. O Homem Que Ri – O longa, lançado em 1928, estava à frente do seu tempo, não só pela densidade da trama, mas também pela rebeldia e sensualidade (e nudez) da Josiane. Mesmo mudo, a história consegue ser bem dramática e intensa, mostrando os reais motivos da obra ser um clássico - 4/5;
16. Clube de Compras Dallas – Um filme intimista que desfruta de muitos planos fechados para destacar o sofrimento e, às vezes, o bem-estar de seus personagens. Além do drama individual, podemos ver as angústias coletiva de uma sociedade que até então não tinha o medo como a única certeza a respeito da AIDS - 5/5;
17. A Ilha do Medo – Em "Cabo do Medo" o Scorsese consegue transmitir um nível de tensão única de perseguição ao combinar a trilha sonora com a atuação de seu elenco. O mesmo êxito não é alcançado na Ilha do Medo, a trilha sonora se confunde dentro de uma direção atrapalhada e sem identidade, resultando em um longa sem um bom tom narrativo e muito longo para a história ao qual ele queria contar – 3/5;
18. A Bruxa – Elegante e de baixo orçamento, o filme peca apenas em sua última cena, mas o breve momento não prejudica o todo trabalhado anteriormente. Com atuações excelentes, das crianças ao elenco de adultos, A Bruxa consegue se destacar magistralmente dentro de um gênero mais do que saturado - 5/5;
19. Hunter × Hunter: The Last Mission - Igualmente ao primeiro longa-metragem da série, o filme animado mantém uma proposta episódica interessante, mas não necessariamente charmosa ao ponto de você se importar muito com os novos vilões e com o desenvolvimento dos demais personagens, como o Kurapika e o Leorio - 3/5;
20. Desafio do Mar Profundo – James Cameron é um dos meus cineastas favoritos, mas agora tive a oportunidade de conhecer o explorador. O documentário, bem montado e com ótima trilha sonora, consegue passar muito bem o conflito dos dois lados da mesma pessoa ao mesmo tempo em que mostra o incrível trabalho de uma equipe de cientistas nas profundezas do mar através das câmeras do Deepsea Challenger - 5/5;
21. Gantz: O – Abandonei o anime umas três vezes e nunca mais voltei a ver, mas mesmo assim tive interesse em ver o filme em 3D. O longo preserva os mesmos defeitos da obra original, personagens mal desenvolvidos e roteiro superficial, porém, também consegue ser divertido e melhor do que a anime ao qual desisti de ver - 3/5.
22. Champs – Muito mais do que um documentário sobre esportes, Champs mostra a realidade da sociedade, especialmente norte-americana, onde jovens precisam usar da violência para fugir da violência, mas isso não significa que eles estarão salvos no fim desse processo - 5/5;
23. A Chegada – Uma história que promete mais do que entrega, mas isso não é necessariamente um problema, pois o conteúdo apresentado é muito bem trabalhado através da excelente performance da Amy Adams - 4/5.
Março
24. Universidade Monstro – Bem localizado para o Brasil, e com profissionais de qualidade atuando nas vozes dos personagens, o filme da Pixar só consegue ser apenas uma história genérica e divertida sobre vida universitária, o fato de isso acontecer no mundo dos monstros não faz a menor diferença - 2/5;
25. Trainspotting – Sem Limites – Com uma construção narrativa única, desfrutando de ótimos efeitos práticos para demonstrar a psicodelia das suas personagens, o filme consegue estabelecer muito bem uma linguagem divertida e perturbadora - 5/5;
26. Logan - Logan é uma mistura suculenta dos trabalhos anteriores do James Mangold. Ele pega as partes boas do Wolverine - Imortal, junta com o estilo western que ele fez em Os Indomáveis (3:10 to Yuma) e ainda coloca aquele tempero gostoso de Johnny Cash (Johnny e June). E, como não poderia ser diferente, temos o Hugh Jackman aprofundando, e até mesmo reinventando, seu Logan da mesma maneira que o Sly fez com o Rocky em Creed. E ainda rola a X-23 alimentando minha nostalgia de X-Men: Evolution, como se toda a essência do filme, encerrando algo que começou a dezessete anos atrás, não fosse o suficiente - ♥ 4/5;
27. Nosferatu – Confesso que esperava mais desse clássico. O filme, mesmo para o cinema mudo, não tem uma narrativa das mais agradáveis e não é tão impactante quanto poderia ser para um filme de terror da sua época - 3/5;
28. Trapaça – O filme é um trabalho de direção medíocre do Russell T. Devies. A sua narrativa parece ter saído de uma novela genérica, sem expressão e, na maioria das vezes, atrapalha diretamente o desempenho dos atores. A montagem só não é pior do que a narração em OFF - 2/5;
29. O Lutador: Intimista, intenso e profundo, esse é de longe o melhor trabalho do Darren Aronofsky. A maneira que o diretor escolhe contar essa história, posicionando a câmera sempre atrás de seu protagonista debilitado, corrobora para que o telespectador, mesmo sem ver o rosto de Mickey Rourke, simpatize com o mesmo ao ponto de querer acompanhar sua trajetória - 5/5;
30. O que fazemos nas sombras: Não lembro de ter assistido esse filme - 5/5;
31 Tazza - Uma cartada mortal: No começo o estilo do filme parecia mais uma produção feita para TV; baixo orçamento e com muitas cenas internas. Por causa disso demora um pouco para a história engatar, mas depois de se envolver com os personagens e o enredo, a trama acaba se consolidando em uma história divertida com boas doses de tensão dramática - 4/5;
32. Kung-Fu Assassino: Um filme simples para passar o tempo. O longa é limitado, mas tem seu charme ao utilizar da sua história para homenagear os filmes clássicos de Kung-fu de Hong-Kong - 3/5;
33. Código de Honra: Esse era um filme que estava apodrecendo na minha lista da Netflix fazia um bom tempinho. O longa me surpreendeu, não só pela ótima performance do Chris Evans, mas também pelo estilo de direção que é conduzida no roteiro, deixado a história mais intimista e pessoal para o telespectador - 4/5;
34. Frank: Frank é um filme de baixo orçamento que consegue reunir três grandes atores dentro de uma trama divertida e melancólica. O longa acaba pecando um pouco no equilíbrio dentro dessa proposta e, no fim, comete um grande erro em mostrar algo desnecessário para o público - 4/5
35. O Roubo da Taça: Filme muito divertido que se destaca pelas atuações de todo o elenco. O longa só peca por algumas escolhas infelizes de roteiro, como a narração em OFF, e pela falta de ousadia da direção, que poderia ser mais criativa para brincar com as excelentes atuações - 4/5;
36. Animais Fantásticos e Onde Habitam: Lamentavelmente o filme não sabe o que quer. A história tem bons momentos de tensão política e aventura, mas não há um equilíbrio dentro dessa narrativa. A montagem é um pouco confusa, o que prejudica o dinamismo e o ritmo das cenas, e, principalmente, a direção do David Yates permanece medíocre - 3/5.
Abril
37. Quase 18 – Adoro filmes sobre adolescência por diversos motivos diferentes, especialmente quando a história tem uma abordagem diferente das inúmeras histórias do gênero que saem anualmente. O destaque desse é sua protagonista, Nadine (Hailee Steinfeld), que não fica presa a nenhum estereótipo e proporciona diversas interações espontâneas com os demais personagens da trama - 4/5;
38. Hacker – Hacker é um filme confuso que não sabe o que quer fazer. O seu principal ponto fraco é a direção, que não mantem uma boa linha da narrativa, mudando o estilo de filmagens entre uma câmera de qualidade para uma câmera de celular de cinco anos atrás. Por mais que ainda existe pontos interessantes, o estilo superficial de abordar engenharia de computadores desconecta facilmente o telespectador da trama que está sendo passada em tela - 2/5;
39. A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell – Um filme sobre um robô na puberdade (leia a crítica completa AQUI) - 2/5;
40. O Mestre Invencível - É curioso o fato do alcoolismo só entrar na história depois de muitos acontecimentos. Um ponto importante é que eu não esperava que o filme tivesse um estilo de comédia pastelão. O orçamento é pequeno, então as cenas de ação ficam limitadas a um espaço único, o que não prejudica muito porque os atores são todos legítimos lutadores - 3/5;
41. Avatar – Um dos meus filmes favoritos e o segundo que vi no cinema. Gosto bastante da maneira que o James Cameron construiu esse mundo e seus conceitos dentro de uma estrutura simples de roteiro muito bem executada - 5/5;
42. IBoy - É irônico o fato de que um hacker habilidoso pode fazer a maioria das coisas que o IBoy faz sem precisar de superpoderes... e provavelmente teria resolvido a situação de maneira muito mais prática -  2/5;
43. Anjos Caídos (Fallen Angels) - Anjos Caídos é um filme chinês de baixo orçamento que foca sua história em indivíduos desajustados que apenas seguem com suas vidas por falta de opções e objetivos. A dinâmica da história, focada em três pessoas que raramente interagem entre si, é bem corajosa e inteligente, passando uma imersão intimista com planos fechados que imerge o telespectador na história acompanhado de uma ótima trilha sonora - 4/5;
44. De volta para o futuro 2 – Um dos roteiros mais impressionantes que já vi em um filme. Eles te fazem pensar que a história será apenas uma refilmagem do anterior no futuro, mas poucos minutos depois o conceito de continuações genéricas é transformado em um filme ágil cheio de reviravoltas - 5/5;
45. De volta para o futuro 3 – Falta na terceira parte dessa jornada justamente o charme que sobra no segundo filme. Tudo é previsível e repetitivo, o exato oposto da segunda parte - 3/5;
46. Back In Time - Documentário interessante, mas eu preferiria que fosse focado especificamente na produção dos filmes - 4/5;
47. Castelo de Areia – Roteiro fechadinho e interessante, mas a direção do Fernando Coimbra, muito boa conduzindo os atores, deixa a desejar na exploração do ambiente onde a história estava acontecendo - 3/5;
48. Bottom to the World – O filme tem uma pegada bem interessante, misturando drama com suspense sobrenatural, mas no fim não consegue segurar sua própria proposta. Gostei bastante do ritmo inicial e da evolução da história nos dois primeiros arcos, porém, faltou surtar um pouco mais ou equilibrar melhor a proposta de enredo - 3/5;
49. Nerve - Um Jogo Sem Regras – O filme é divertido e tem uma fotografia estilo neon que combina bastante com os aspectos digitais e sociais de rede que a história quer passar. A dinâmica dos protagonistas, Emma Roberts e Dave Franco, é a melhor parte do longa - 3/5;
50. O que é isso companheiro? - O cinema nacional do final dos anos noventa e início dos anos dois mil foi um dos momentos mais férteis da sétima arte brasileira. Além da narrativa intrigante, "O que é Isso companheiro?" tem um dos melhores elencos já reunidos no cinema nacional, e todos estão bem nos seus respectivos papéis - 5/5;
51. Tudo por uma esmeralda – A melhor parte de rever um filme é você não lembrar que o tinha assistido anteriormente. Eu me lembrava de poucos momentos, mas o resto da história foi inédito. A direção e atuações são muito boas, da mesma maneira que o roteiro descompromissado funciona muito bem. A heroína é surpreendente, com um arco de história mais interessante do que muitos filmes modernos - 5/5.
Maio
52. Sem Escala – Um filme de ação bem conduzido é aquele em que a narrativa te mantém acordado mesmo você estando com sono. Sem Escala, segunda parceria do diretor espanhol Jaume Collet-Serra com o Liam Neeson, é exatamente isso. Simples, bem desenvolvido e empolgante - 4/5;
53. O Corvo – O legal de assistir filmes antigos e perceber sua influência nos modernos. No caso de O Corvo, estrelado pelo Brandon Lee, é sua semelhança com o Cavaleiro das Trevas do Christopher Nolan. O estilo gótico é bem interessante e o personagem principal caricato de maneira harmônica, funcional com a história, conduz bem toda a narrativa do longa - 4/5;
54. Invasão Zumbi (Train to Busan) - O filme coreano tem bastante da essência das obras do George A. Romero, usando da infestação zumbi para dialogar sobre a condição social local, que no caso é sobre a Coreia do Sul. A história fala muito da ausência da paternidade, incompetência governamental, falsa sensação de segurança dos militares, solidariedade entre o povo coreano e mais uma série de pontos dramáticos que percorrem a trama. O filme também é bem conduzido, sabendo usar bem o ambiente e o estilo de zumbi proposta para a história - 4/5;
55. THX 1138 – THX 1138 é um filme corajoso, tem até umas ideias interessantes, mas peca muito em todos os pontos possíveis da sua produção. O longa é ruim? Sim, mas não chega a agredir o telespectador - 1/5;
56. Encalhados - Péssimo título nacional, mas ótimo filme. A história tem um ritmo bem interessante, principalmente pela simpática atuação da Keira Knightley. Alguns pontos dramáticos não são bem desenvolvidos, porém isso não atrapalha a história como um todo - 4/5;
57. Faroeste Caboclo – Um filme com ideias interessante, mas não sai muito disso. A história, em certos momentos, parece ser bem conduzida para uma trama de gênero bacana, porém isso nunca acontece com o devido impacto necessário. Faroeste Caboclo é um filme facilmente esquecível - 2/5;
58. Guardiões da Galáxia Vol: 2 – A única coisa que o filme peca é no excesso de comédia fora de tom, mas, diferente de Doutor Estranho, Guardiões sabe aproveitar seus tempos dramáticos apresentando uma das histórias mais emotivas desse universo no cinema. O vilão também é bem bacana, algo pouco usual nos filmes da Marvel - 4/5;
59. Laerte-se – Um documentário muito interessante, do conteúdo a sua montagem. Porém, por mais que a Laerte seja uma pessoa maravilhosa para se acompanhar a vida e trajetória, senti falta, muita falta, de um pouco mais de foco na sua jornada como artista - 4/5;
60. Blame – Esse foi o meu primeiro contato com o mundo de Blame, a ambientação da história é realmente muito interessante, mas os personagens apresentados nessa história em específico não foram necessariamente bem desenvolvidos. A animação, misturando o estilo já tradicional da Netflix de unir CGI ao estilo clássico dos animes está bem melhor do que foi apresentado em Ajin e Knights of Sidonia - 3/5;
61. Agente 86 – O filme é surpreendentemente divertido! Porém, falta personalidade na direção para deixar a narrativa com menos cara de produção feita para TV - 3/5;
62. Carros: Em primeira instância a história apresenta uma série de obviedades, mas isso é desconstruído aos poucos até o final do filme. Entre pontos positivos e negativos, Carros é uma experiência bem humana - 4/5.
Junho
63. Um lugar qualquer - São poucos os diretores que possuem personalidade e competência dramática da Sofia Coppola. Nesse filme, abordando novamente a melancolia da solidão, a diretora tem uma narrativa sonoro, com música ou total ausência de melodias, o que deixa a trama mais densa e depressiva por mais que alguns personagens apareçam sorrindo – 4-5;
64. O jovem tigre – O filme lhe vende o Jackie Chan, mas a história aborda outros personagens, sendo o Jackie apenas um vilão coadjuvante. Porém, inesperadamente o longa acaba falando sobre a China da sua época, criticando a influência da mídia nos jovens e mostrando a falta de oportunidades, onde um homem formado na universidade tem que dirigir um taxi para sobreviver - 3/5;
65. Aladdin – As músicas de Aladdin não são necessariamente marcantes, o que é justamente o oposto dos seus personagens. A qualidade da animação ainda impressiona ao misturar o estilo tradicional com computação gráfica. Ao todo o roteiro nostálgico é mais complexo do que eu esperava - 4/5;
66. Moonlight - Sobre a luz do luar – estrutura simples dentro de um filme de baixo orçamento é bem utilizada ao enaltecer os pontos mais fortes da trama: o drama e as atuações. O trabalho com os atores é ótimo, pois é necessário reapresentar os personagens sem perder o carisma e suas características mais marcantes - 5/5;
67. Jackie - Jackie é um filme sobre luto, melancólico e sem tempo para sorrisos. A obra não chega a ser depressiva ou forçada para ser emocional, sua narrativa é política e humana. O mais interessante é a atuação da Natalie Portman, que chama muito a atenção pelo seu jeito de falar, deixando sua performance mais impactante do que o seu trabalho em Cisne Negro - 4/5;
68. Demônio de Neon – Um filme sobre rivalidade entre mulheres na indústria da moda disfarçado de crítica social foda. Diálogos e narrativa ruins, fotografia mediada, direção prepotente sem resultados eficientes e visual de um vídeo clip pop genérico. Por que eu resolvi perder meu tempo com isso? - 1/5;
69. Mulher Maravilha - Os dois primeiros atos da Mulher Maravilha são tão bons que estou disposto em apagar da minha memória o final horroroso - 4/5;
70. Headshot – Com enredo simples e cenas de ação bem trabalhadas dentro da limitação orçamentária do longa, Headshot mostra que o protagonista de Operação Invasão e sua equipe de dublês têm muito o que mostrar no vindouro futuro dos filmes de ação tailandeses - 3/5;
71. O Lobo Atrás da Porta – Uma pena que o Fernando Coimbra não conseguiu reproduzir em castelo de Areia tudo o que ele havia feito aqui. Gosto de como ele usa pequenos planos sequências para construir uma história intensa da narrativa fluída, sendo criativo dentro do orçamento baixo do filme. Destaco também a fotografia e as atuações, especialmente da Leandra Leal, que deve ter integrado no longa a melhor performance da sua carreira - 4/5;
72. Sr. Fantástico Eu sou, oficialmente, uma pessoa que não é fã do Kubrick. Sr. Fantástico tem algumas ideias interessantes para uma sátira apocalíptica militar, mas a execução está longe de ser divertida ou atraente mesmo possuindo bons momentos - 2/5;
73. Grandes Olhos – Fugindo do seu lado gótico, mas sabendo trabalhar o bizarro e o sombrio quando necessário, o Tim Burton faz o seu melhor filme em anos. A direção de atores, falando especificamente dos dois protagonistas, é fantástica, sabendo misturar sentimento e caricatura durante toda a história - 4/5;
74. Sete minutos para meia-noite – J.A Bayona é um diretor que sabe transpassar emoções e conduzir bem seus atores dentro da sua história. Nesse filme, embalado por uma trilha sonora aventuresca e melancólica, a trama se desenvolve de maneira envolvente e agridoce, transpassando sua alma de maneira emblemática - 5/5;
75. Cidade de Deus: 10 anos depois – Um momento não é uma vida - 4/5;
76. Okja – Agridoce, Okja apresenta dramaticidade com comédia dentro daquilo que o cinema coreano consegue se destacar: mistura de gêneros. Joon-Ho Bong faz um excelente trabalho de direção, sem se preocupar com planos ousamos, trabalhando o simples junto a atuações excelentes de seu elenco - 4/5.
Julho
77. Appleseed: Ex-Machina - Não esperava que o filme fosse tão bom. A trama tem seu grau de complexidade e entrega sua história de maneira bem desenvolvida, com raras exceções para momento onde a animação precisava extrapolar em algumas cenas de ação. O filme é uma ótima visão para o universo do Masamune Shirow - 3/5;
78. Operação Invasão 2 – Com orçamento maior, o diretor aproveita para fazer experimentações mais artísticas e, às vezes, desnecessárias. Porém, a sequência não repete o formato do primeiro filme, adicionando novos elementos dramáticos e fazendo um ótimo trabalho nas cenas de ação - 4/5;
79. Fruitvale Station: A Última Parada – O filme toca em pontos importantes de seus fatos abordados e por mais que em alguns momentos a direção tome o partido do lado emocional, o enredo é bem conduzido e impactante - 4/5;
80. Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros – Terceira vez que assisto ao filme, o que indica que gostei bastante do que foi feito nessa história. Mesmo com um ou outro probleminha, o enredo flui muito bem e o sadismo do Indominos Rex é adorável, um dos melhores vilões recentes do cinema - 4/5;
81. Kong: A Ilha da Caveira – Kong é uma legitima história de aventura e descobrimento que eu não via no cinema há muito tempo. Adoraria passar mais alguns minutos descobrindo os lados exóticos da ilha da caveira e suas demais peculiaridades. Os personagens são interessantes, mas faltou um pouco mais de detalhe na construção que os deixasse mais característicos para a trama. Queria ter visto no cinema, mas a falta de dinheiro não permitiu - 4/5;
82. Homem–Aranha: De volta ao lar – O filme é basicamente focado no fato de que com grandes poderes vem grandes responsabilidades, mas a frase não é repetida e não temos uma menção ao Tio Ben. Esse aspecto é muito interessante por não ser maçante ao mesmo tempo que preserva a essência do personagem. Os personagens, inclusive, se destacam muito bem dentro de uma trama bem resolvida, sendo esses um dos melhores e mais equilibrados filmes do MCU - 4/5;
83. O cheiro do ralo – O cheiro do lado peca bastante na direção e trilha sonora, dois pontos importantes que poderiam engrandecer as peculiaridades dessa história. O filme é divertido, mas fica aquele sentimento de potencial desperdiçado - 3/5;
84. Três é demais (Rushmore) - Três é demais é um dos primeiros filmes de destaque do Wes Anderson. Lançado em meados da década de noventa, o longa já mostrava algumas das peculiaridades que acompanhariam o trabalho do diretor. Mesmo com sua técnica ainda crua, a sua narrativa já era admirável nessa época - 5/5;
85. O Artista – O artista conta uma ótima história muda, mas peca em não extrapolar a transição entre o cinema falado e mudo, que poderia transpassar maior valor narrativo para sua trama - 4/5;
86. Power Rangers – Mal escrito, dirigido e montado. O filme, que em boa parte do tempo passa um ar de vergonha alheia, só se salva por sua equipe de atores, que se esforçam em fazer muito com pouco - 2/5;
87. Estúdio Ghibli – Reino de Sonhos e Loucura - Documentário fascinante para os fãs do estúdio e para artistas. Muito bom acompanhar o dia a dia do Miyazaki, uma pessoa peculiar que esbanja simplicidade nos pequenos gestos da vida. Eu poderia passar horas e mais horas acompanhando o trabalho da equipe de produção do estúdio - 5/5.
Agosto
88. Sabotage - É notável, não de hoje, que quando o David Ayer tem controle sobre sua história, ela costuma fluir muito melhor. O filme peca em uns pontos, montagem e roteiro, mas ao todo é bem divertido - 3/5;
89. Vidas ao Vento – Vidas ao vento mescla as melhores qualidades da narrativa do Miyazaki, que mais uma vez combina aventura, drama e violência de forma harmônica dentro da sua história. Esse é um estilo único do diretor, que faz histórias adultas com um charminho infantil - 5/5;
90. Bob Esponja: um herói fora d'água - O trailer do filme entrega mais do que deveria, mas isso não prejudica o entretenimento como um todo. O maior problema está no fato de que se comparar com o primeiro longa, o segundo não apresenta um mar de cenas marcantes e emblemáticas para os personagens - 3/5;
91. Christine, o carro assassino – Gostei bastante do estilo anos oitenta do filme e, principalmente, da reconhecível pegada do Stephen King na maneira de conduzir uma história. A trama é bem conduzida e a direção do John Carpenter soube trabalhar muito bem a identidade da Christine - 4/5;
92. Corrente do Mal – Com uma proposta muito interessante, Corrente do Mal chegou a me lembrar de The Ring, O Chamado original. O drama sobrenatural com toques de suspense tem uma maneira interessante de contar sua histórica, mas peca em alguns pontos de roteiro e na criatividade da direção - 3/5;
93. Grave (Raw) - Estava querendo assistir ao filme desde seu trailer. Raw é um filme simples, que brinca com sua trilha sonoro para transpassar as tensões de seus personagens. A história consegue se explicar por completo sem nenhum diálogo expositivo, sendo direta ao ponto de maneira elegante, o que demonstram excelente trabalho de direção. As atuações também estão ótimas - 4/5;
94. A Assassina – Esperava mais do filme, maldita expectativa. A história é interessante e a maneira encontrada para contar, dentro de uma produção de orçamento moderado, poderia ser muito melhor se a direção tivesse mais personalidade e qualidade - 2/5;
95. O Lugar Prometido em Nossa Juventude – O Makoto Shinkai é um diretor muito interessante, especialmente no visual de seus trabalhos. Nesse longa animado, de uma década atrás, é perceptível alguns pontos positivos da sua técnica que ainda precisava ser melhor apurada, especialmente no roteiro e na narrativa - 3/5;
96. Death Note – Pulando toda parte do racismo, Death Note é uma obra mal escrita, dirigida, fotografada e atuada. O filme serve para comprovar que essa pseudo liberdade criativa da Netflix não passa de uma grande falácia - 1/5;
97. Joshua: Adolescente Vs Superpotência - Joshua tem uma história impressionante, mas é difícil acreditar que seus objetivos serão alcançados nesse mundo de merda. A tendência é Hong-Kong ser engolida pela China. Espero estar errado - 4/5;
98. Os irmãos cara de pau - Comédia interessante e com um roteiro divertido, mas a parte musical fica um pouco deslocado do restante da narrativa principal e alguns cortes de cenas não são bons como deveriam - 4/5.
Setembro
99. Merantau – O segundo filme da carreira do Gareth Evans, e o primeiro em parceria com o Iko Uwais. Dentro de uma trama simples, ele sabe trabalhar muito bem a ação dentro do ambiente, utilizando planos diferentes dependendo do espaço, mas sem muita ousadia. O charme está em trabalhar o baixo orçamento do filme dentro de uma boa narrativa - 4/5;
100. Tracks – Tracks é uma jornada de isolamento real, semelhante à da Laura Dekker em Maidentrip, mas no deserto ao invés do mar. Aqui, ao invés do documentário, temos a adaptação do livro homônimo escrito pela "Garota dos Camelos". Gostei bastante da direção do filme, mostrando bastante o ambiente em torno da jornada conforme o deserto vai engolindo tudo. Com exceção de um ou outro momento explicativo, o filme flui muito bem ao entregar uma ótima história - 4/5;
101. Anjos da Noite: Guerras de Sangue – Uma franquia de terror e ação B que gosto muito por sua simplicidade. Esteticamente nascida de Matrix, a história perdeu força nos últimos tempos, especialmente em seu terceiro e quarto filme. Porém, no quinto, com uma boa direção da Anna Foerster proporcionada no desenvolvimento narrativo da ação, o longa consegue se sustentar em uma história divertida que se perde em seus momentos dramáticos - 3/5;
102. A Escolha Perfeita 2 - É um problema quando a melhor cena no filme acontece nos créditos, mas independente disso, a sequência do musical acapela protagonizada pela Anna Kendrick não se sustenta como comédia ou musical. Direção, roteiro e atuações também estão bem fracas, com exceção, dentro do elenco principal, da Rebel Wilson e da Hailee Steinfeld. O som do filme mantém o mesmo problema do anterior: falta o charme acústico de uma música acapela - 2/5;
103. The Runaways - Garotas do Rock – O filme é interessante, mas o que precisa ser realmente destacado são as atuações da Kristen Stewart, Dakota Fanning e Michael Shannon. O trio não só entregou uma ótima performance como também trabalhou todos os trejeitos das pessoas ao qual interpretavam - 4/5;
104. Crianças Lobo – Mais um trabalho espetacular do Mamoru Hosoda, mostrando mais uma vez o seu estilo urbano se fundindo com a natureza japonesa. O destaque fica para seus principais personagens e para o estilo de narrativa, que permanece profunda e acolhedora mesmo em cenas sem diálogos - 5/5;
105. A Criada – Sadismo, drama, comédia e toques de terror dentro de uma narrativa dinâmica de planos variados. A Criada é o Park Chan-Wook em sua melhor forma - 5/5;
106. Minions – Em nível técnico, a animação é realmente muito boa. Porém, no quesito roteiro e execução, Minions não tem personalidade o suficiente para sustentar uma história protagonizada por coadjuvantes. Por mais que uma ou outra piada sejam interessantes, o resultado final não alcança o real potencial da proposta original - 2/5;
107. Shara – Shara é um filme de baixo orçamento que retrata a melancolia do mundo suburbano do Japão através de uma família local. Essa melancolia é refletida no conflito entre tradição e modernidade, mostrada pelas relações e pelo ambiente. De forma simples, a direção usa pequenos planos sequências que se conectam de forma homogênea e despercebida. Simples e catártico no momento certo - 5/5;
108. Zona de Risco – O poder de fazer merda do ser humano nunca pode ser subestimado por uma simpatia momentânea. Também apreciei a pegada Silêncio dos Inocentes que o Chan Wook Park usou no filme - 5/5;
109. O estranho que nós amamos – Sofia Coppola entrega um drama estruturado em terror elegante de baixo orçamento com cara de filme A de Hollywood. História simples, boas atuações, roteiro inteligente e direção perfeita, sem firulas e com uma ótima fotografia - 5/5;
110. Califórnia – Gostei bastante do trabalho de direção da Marina Person. A condução da câmera, igual a história, é simples e eficiente em sua proposta. As atuações são proporcionalmente boas, com exceção de um ou outro ator. O único problema real é o figurante de coque samurai - 3/5.
Outubro
111. 12 anos de escravidão - Excelente para assistir abraçado ao joelho e sofrendo em silêncio. Gosto bastante do trabalho de direção do Steve McQueen, especialmente na condução das performances dos atores - 5/5;
112. Frances Ha - Frances Ha narra uma trajetória de vida pouco ortodoxa no cinema e na ficção como um todo. Ver pessoas se fodendo e se adaptando ao cotidiano é totalmente relacionável a maioria das vidas, e a maneira utilizada para contar essa história, sustentada por um excelente roteiro recheado com ótimos diálogos, faz desse um filme indispensável para a vida - 5/5;
113. Um toque de pecado – Estruturado em arcos contínuos, sem a necessidade de interromper suas narrativas, o filme retrata diversas condições conflitivas da sociedade chinesa onde a violência está longe de ser um pecado, está longe de ser o pecado verdadeiro. O filme diverte ao mesmo tempo que sua história provoca reflexão, que com certeza deve ser mais impactante para o povo chinês do que as pessoas ao redor do mundo - 5/5;
114. Assassins Creed - Então alguém pensou: e se o Michael Fassbender cantasse Crazy for feeling so lonely? - 2/5;
115. Bata antes de entrar – A primeira parte do filme é desconfortável ao ponto dos próprios atores estarem desconfortáveis com suas falas. Porém, por incrível que pareça, o filme não é apenas uma desculpa para mostrar os peitinhos da Ana de Armas, havia uma história ali, uma pena que esqueceram de contar de uma maneira descente - 2/5;
116. Amores Canibais – Sem ficar enrolando nos pormenores, Amores Canibais introduz todo um universo sem necessitar de diálogos para estabelecer um cenário e desenvolver seus personagens. A direção é ousada, sabendo utilizar bem da sua fotografia e da condução de seus atores em cena - 4/5;
117. Tokyo Idols - Documentário interessante, menos abusivo do que pensei que poderia ao retratar uma cultura muito peculiar, mas não profundo o suficiente ao retratar o status psicológico dos envolvidos, apenas teorias e possibilidades, sem um profissional da área discursando sobre a temática - 4/5;
118. Cara gente branca – O pior do filme foram as legendas da Netflix, um problema que não ocorre com download ilegal. Fora isso, o longa é bem interessante, dinâmico, com um bom estilo narrativo, mas não necessariamente arriscado. Devido a temática e a situação, o filme poderia se arriscar um pouco mais em seu próprio estilo e, principalmente, ser mais agressivo - 4/5;
119. Malévola - A história da bela adormecida na visão da Malévola, praticamente uma releitura. Essa ideia, em essência, não é boa, mas isso não é o pior do filme. A direção é sofrível e o roteiro, com exceção da introdução, não sabe o que está fazendo. A maquiagem da Angelina Jolie é o único acerto do longa - 1/5;
120. Meus 15 Anos - Essa é uma daquelas histórias que já foram contadas várias vezes, mas igual ao cinema norte-americano, sempre é possível mostrar outra perspectiva ou se aproveitar das peculiaridades do seu protagonista. O filme falha em estabelecer parte da sociedade em torno da protagonista, acerta no lado familiar, tem uma direção simples e um roteiro com pontos falhos, mas não deixa de ser imersivo - 3/5;
Novembro
121. Thor: Ragnarok - É impressionante como tudo funciona. É o filme que tem mais ligações com o universo Marvel; é o filme que melhor trabalha a essência dos deuses, mesmo deturpando a mitologia nórdica; o filme une perfeitamente fantasia e ficção científica; o filme tem muitos elementos de quadrinhos sem precisar fazer muitos fanservice; tem uma puta vilã, perigo real e imediato; não é apenas o melhor filme do Thor, é um dos melhores da Marvel - 4/5;
122. Corra – Esse é um filme simples muito bem executado. O destaque principal é a produção de elenco, todos bem destacados em suas respectivas atuações - 4/5;
123. Zootopia - Essa Cidade é o Bicho – Um thriller animado sobre racismo e outros tipos de discriminação. Engraçadinho, tenso e não trata o público como idiota. Excelente! - 5/5;
124. Moana: Um Mar de Aventuras – Aguardei os créditos para ver o nome da Natália Freitas - 5/5;
125. O Matador – A história e os personagens são interessantes, mas a maneira escolhida para narrar o enredo foi a pior possível. O início do filme é um muito perdido dentro da própria estética, com créditos iniciais que lembram a abertura de uma série e mais créditos após algumas cenas. Porém, o que é realmente incomodo é a narração em OFF. Quando não há narrador a história flui, mas quando ele está presente, continuar assistindo ao filme é sofrível - 2/5;
126. Encantada – Um filme surpreendentemente divertido, especialmente a construção da relação de animação e atores reais. Porém, o final deixa um pouco a desejar quando o musical fica de lado para um drama comum - 3/5;
127. Vizinhos 2 – Gostei de como os personagens foram desenvolvidos na continuação, não apenas repetindo a história do primeiro. O filme tem ótimas sacadas, bons atores e uma história simples e divertida. O que considero negativa é a direção, poderia ter menos cortes para deixar as piadas mais fluídas - 4/5;
128. Batman VS Superman – A Origem da Justiça - Versão Estendida – O filme melhora bastante com o acréscimo de algumas cenas que deveriam estar na versão final. Boa parte da história é melhor explicada e desenvolvida dessa forma, o que valoriza o Superman e a Mulher-Maravilha. Porém, as partes que querem fazer ligação com um enredo futuro não funcionam, o filme poderia ser muito melhor se a Warner não atrapalhasse o trabalho do Snyder - 4/5;
129. Liga da Justiça - A Warner estragou esse daqui também, mas o conteúdo base se manteve proporcionando dois ótimos primeiros arcos de história. Viradinha de olho se tornou uma das minhas cenas favoritas dos filmes de super-heróis. Porém, a trilha sonora é detestável e os pontos de comédia adicionais são desnecessários - 3/5;
130. Um olhar do paraíso: Demorei aproximadamente seis anos ou mais para assistir esse filme porque o DVD estava com problema na metade. Enfim, após muitos anos pude rever a interessante primeira parte da história, uma boa direção por parte do Peter Jackson e uma boa atuação por parte da ainda jovem e fofinha Saoirse Ronan. A história flui bem quando o enredo não tenta filosofar muito e a narração em OFF atrapalha um pouco a dinâmica, mas no fim o filme não desagrada - 3/5;
131. Dias Selvagens (Days of Being Wild) - Mais um filme que vejo do Kar-Wai Wong, mesmo diretor de Anjos Caídos. O interesse dele por uma fotografia esverdeada para retratar o marasmo da vida de seus personagens aparece como uma constante em seus trabalhos. Gosto de como ele mostra a superficialidade entre relacionamento através da mediocridade das pessoas, de como essas relações são falhas e apenas suportes da vã existência de cada um - 3/5;
132. Amor à flor da pele - Além do seu verde tradicional, Kar-Wai Wong também utiliza bastante de vermelho, laranja e amarelo. Essas cores passam um ar maior de sexualidade entre dois amantes casados que não se relacionam. O filme é melancólico e consegue expressar bem o conflito entre os protagonistas que encontram um no outro a companhia que não possuem com os seus verdadeiros conjugues. A Luisa Clasen fala um pouco do contexto do filme no início desse vídeo - 4/5.
Dezembro
133. 2046 – Os Segredos do Amor – O último filme da trilogia não oficial do Kar-Wai Wong mantem a paleta verde, mas dessa vez destacando as pessoas que estão estagnadas em um ciclo de relações que não vai a lugar nenhum. Quando as cores mudam, para tons derivados do vermelho e amarelo, os personagens conseguem seguir em frente contra a própria melancolia ou aprendem a se relacionar melhor com os outros. Os planos deslocados também são interessantes por mostrar esse lado negativo da sociedade chinesa - 4/5;
134. Acima das nuvens – Um filme metalinguístico que constrói muito bem a relação do passado e futuro da arte, tratando a relação de entretenimento com filosofia artística de maneira elegante e divertida. A essência do filme se encontra nas excelentes performances da Juliette Binoche e da Kristen Stewart - 5/5;
135. O gosto da vingança - Pensei que seria um drama com toques de thriller, mas o filme é uma ação clássica conduzida por seu protagonista. O filme tem um enredo estiloso, trabalhando bem a estética dos acontecimentos ao mesmo tempo que a história é conduzida de uma forma simples e eficiente - 4/5;
136. Your Name (Kimi no na wa) - O filme tem um sério problema de roteiro que afeta o desenvolvimento do enredo. Esse problema está relacionado ao maneirismo de animes padrão, daqueles descartáveis feitos para TV. No começo a história parece estar quebrada, com uma abertura e encerramento musical. Porém, a narrativa se estabiliza após os trinta minutos iniciais entregando um bom filme - 4/5;
137. A Colina Escarlate – Muito interessante, principalmente pelos cenários e ambientação como um todo, mas é uma pena que o clima gótico não tenha sido utilizado da melhor maneira possível. O Del Toro tem um potencial muito maior, no entanto, o filme me aparentou ser muito simplório para suas possibilidades - 3/5;
138. Fragmentado – Elementos narrativos simples extremamente bem executados - 5/5;
139. Star Wars – Os últimos Jedi – Ignorando dois probleminhas de continuísmo, gosto bastante do fato do filme se arriscar em um roteiro fora do padrão dos grandes blockbusters. Em uma comparação com o episódio VII, o episódio VIII é melhor escrito enquanto o anterior é melhor dirigido, o texto melhor elaborado da sequência me apetece mais - 4/5;
140. Entre Abelhas – O maior potencial do filme também é seu ponto fraco: o diretor e seu protagonista. Os dois são muito bons em seus respectivos talentos, mas os maneirismos recorrentes de seus trabalhos acabam prejudicando o desenvolvimento da trama e deixando tudo muito comum ou ruim, como a cena do desaparecimento no carro. Além disso, deixo minha ressalva negativa para o Porchat e a Lancellotti por não saberem pintar uma parede - 3/5;
141. Bright – O filme não é bom, mas também não é ruim. Quando a história foca na especialidade do David Ayer, que é a boa e velha picuinha entre policiais, o enredo flui de forma interessante. Porém, quando a narrativa entre nas frescurinhas do Max Landis, tudo desanda de forma trágica. Ademais, no Brasil o filme deveria ser chamado de Iluminado e as legendas da Netflix estavam bem esquisitas - 2/5;
142. O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel – Assistido de forma não intencional, picotado e com comerciais, o filme aqueceu meu coração e me salvou em um dia natalino - 5/5;
143. Personal Shopper – Diretor e uma das protagonistas de Acima das Nuvens retomam parceria em uma trama com toques de terror sobrenatural. O trabalho de direção sutil combinado com uma atuação também sutil da Kristen proporciona cenas bem intensas, sem precisar de muitos arrodeios a dupla entrega mais um excelente trabalho – 5/5;
144. Samaritana – Samaritana impressiona pela sua evolução de enredo, que à primeira vista se apresenta de modo simplista, mas que acaba se transformado em um drama violento e sutil, retratando as relações dos personagens de maneira elegante – 4/5;
145. Os Terroristas – Uma história de encontros e desencontros que dialoga com a China. Especificamente Taipei, dos anos oitenta. É interessante acompanhar a vida dos personagens, suas escolhas e as consequências que os fazem seguir em frente. Não é o melhor filme do gênero, mas também não é o menos interessante - 3/5.